Voltar ao Índice de Notícias

Catilinária lulopetista

09/06/2016

EDITORIAL ESTADÃO


Em entrevista ao jornal The New York Times, a presidente afastada Dilma Rousseff, cujo precário domínio da oratória se tornou uma das marcas de seu desastroso governo, caprichou no latim para atacar seus adversários. “Quam diu etiam furor iste tuus eludet?”, recitou a petista, lembrando trecho de uma das famosas Catilinárias, os discursos do cônsul romano Cícero contra Catilina, tido como golpista. A frase – cuja tradução é “por quanto tempo há de zombar de nós essa tua loucura?” – foi lembrada por Dilma como uma forma de denunciar especialmente o deputado Eduardo Cunha e o presidente em exercício Michel Temer, “aqueles parasitas”. Mas o trecho do discurso de Cícero que Dilma escolheu para ilustrar a situação de que se julga vítima aplica-se à perfeição à loucura que ela mesma e seu guru, o chefão petista Luiz Inácio Lula da Silva, impuseram e ainda impõem ao País.

De seu bunker no Palácio da Alvorada, Dilma zomba da inteligência dos brasileiros ao criticar decisões do governo de Temer, tendo sido ela a responsável direta pela mais profunda crise econômica da história do Brasil. Indignada, a petista acusa Temer de desmontar as “conquistas sociais” dos governos petistas, como se estas já não estivessem em processo de extinção por sua própria culpa.

É ocioso sublinhar as incoerências de uma presidente cujo governo foi marcado por falta de rumo, mediocridade política e incapacidade de reconhecer seus erros. Assim como na campanha em que obteve um novo mandato, a petista não se envergonha de lançar mão de mentiras e distorções para atacar adversários e, de quebra, desqualificar as instituições democráticas. Com ela, Cícero teria farto material para seus discursos.

Mas Dilma é apenas uma esforçada aprendiz no ofício da desfaçatez. Nessa seara, só Lula atinge o estado da arte. Depois de um tempo em silêncio, recuperando-se do baque do afastamento de sua criatura, o demiurgo petista tentou mostrar que está em forma, esmerando-se na sua pregação indecorosa.

Em ato organizado por um certo “Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas”, Lula acusou Temer, pasme o leitor, de agir como presidente da República. “Que eles não pensem que vão destruir aquilo que nós construímos. O Temer acaba de dar um golpe não apenas na Dilma, mas na decisão tomada pelo Senado, que apenas o colocou como presidente interino. Ele não tinha o direito de fazer o que fez”, vituperou Lula, referindo-se a atos de Temer como presidente em exercício.

Lula queixou-se de que Temer “cortou até o almoço da Dilma”, referindo-se à suspensão temporária da verba destinada à alimentação da presidente afastada e de sua entourage. Nas redes sociais, houve petistas que fizeram campanha para levar comida para Dilma, como se esta corresse algum risco de passar fome. E Lula completou: “Vamos comer marmitex, se for o caso, mas eles não vão impedir que a gente ande por esse país fazendo as denúncias que temos que fazer”. Ou seja, o líder do partido que protagonizou os maiores escândalos de corrupção da história e arruinou os pilares da economia nacional ainda acredita ter moral para fazer “denúncias” sobre quem quer que seja. Tudo isso porque o governo em exercício cortou as exorbitâncias gastas com alimentação no Palácio da Alvorada – mais de R$ 60 mil mensais – e restringiu o uso de avião da FAB pela presidente afastada – que não tem compromissos oficiais – ao trecho Brasília-Porto Alegre-Brasília.

É claro que Lula não está, como nunca esteve, preocupado com questões morais. Seu único objetivo, desde sempre, é sua sobrevivência política. Nesse cálculo, vale até um fajuto reconhecimento de alguma responsabilidade pelo descalabro que ele e Dilma causaram ao País. “Conseguimos provar que esse país pode ser diferente, mas sei que não fizemos tudo, sei que estamos em dívida com a sociedade brasileira. A Dilma cometeu equívocos, e nós queremos que ela volte exatamente para corrigir os erros que nós cometemos e para nós fazermos as coisas bem-feitas neste país”,

discursou Lula.

Que o País, já tão maltratado pelo ruinoso mandarinato lulopetista,

seja poupado de tão funesta fatalidade.

Depois do desastre, o esquecimento